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Dor, o que é isso? Queima, arde, sangra, alivia…arranha, arranha até não suportar o estilhaço. A dor externa some por alguns segundos. Ou aumenta como uma enchurrada, é um tanto ralativo. Sua mão ganha o que chamo de vida própria, guiada pela raiva interior, e você arranha por outras vezes, até um mísero pingo se recriar na sua pele pálida e machucada. Nesse momento você desaba. Se pergunta o porque. Sente doença, loucura, um ser completamente perdido. Me desculpe, mãe. A senhora faz tanto por mim, preza meu bem estar a cima de tudo. Andou me perguntando como eu estava, e juro, tentei lhe dizer a verdade. Desenhei uma pequena borboleta em meu pulso, representando a minha esperança. Assim que a viu, pediu para ver o desenho. Os cortes inchados estavam ao lado. Dei a patética desculpa que eu não desenhava bem e não lhe deixei ver a borboleta. Como iria explicar essa fraqueza tão sem fundamentos a você? Logo você. E me desculpe pai, dói ver que não sabe nem metade do que acontece na minha vida. Sempre procuram proporcionar o que acha certo a mim e eu nunca os entendo. Me perdoem por me tornar essa pessoa gélida, cascuda, mal humorada e insatisfeita da qual reclamam diariamente. Nunca foi minha intenção. E para não lhes preocupar ainda mais com os meus devaneios eu sofro na permanência desse silêncio eterno. Já tentei o alvoroço, agora apenas me calo. Uma barreira entre nós foi erguida, mas receio que seja melhor machucar-me sozinha do que machucar quem eu amo e desejo sempre tudo de melhor na vida. É péssimo jurar ser forte para aquele único que estará ao seu lado, mas ser fraca, ir ao fundo do poço e saudá-lo com um “oi” amuado, decepcionar com besteiras, com análises frustradas da minha linha da vida. Sei que nunca poderei retribuir tudo que já fizeram de bom por mim. Pessoas pelas quais eu não me importei momentaneamente, e agora fazem falta. Tudo e mais um pouco. Causa dos cortes. Causa dos soluços desesperadores e amargurados. Espero que ninguém nunca passe por essa confusão e chegar ao ponto de querer mais dor. Dor física…remédio psicológico aos sem rumo. (a-promessa - Diana Seelaender)
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